Revista Cuidarte · Published 2026-06-26 · DOI 10.15649/cuidarte.5000
Matheus Tavares França da Silva, Caroliny Cristine dos Santos Mendes, Rebeca Furtado Fernandes, Sherida Karanini Paz de Oliveira, Rhanna Emanuela Fontenele Lima de Carvalho
Highlights • A cultura organizacional pode atenuar ou agravar as experiências dos profissionais de saúde em incidentes assistenciais. Ambientes punitivos e com ausência de suporte, favorecem a condição de "segunda vítima". • A condição de "segunda vítima" provoca impactos emocionais, físicos e sociais nos profissionais, resultando em repercussões duradouras que afetam sua saúde e desempenho pessoal e profissional. • O suporte adequado é crucial para manejar a experiência da "segunda vítima", exigindo uma abordagem holística que considere os diversos fatores que impactam a vida e o trabalho desses profissionais. • Profissionais em formação ou envolvidos indiretamente no cuidado também podem ser segundas vítimas, destacando a necessidade de programas abrangentes que ofereçam suporte a todos os indivíduos em momentos críticos. Introdução: Incidentes na assistência à saúde afetam tanto os pacientes quanto os profissionais envolvidos. O impacto sobre esses profissionais, conhecidos como "segundas vítimas", é um dos principais fardos ocultos do dano. Objetivo: Analisar o conceito de “segunda vítima” sob a perspectiva evolucionária de Rodgers. Materiais e Métodos: A pesquisa realiza uma análise de conceito fundamentada na visão evolucionária de Rodgers, utilizando uma revisão de escopo para identificar atributos, antecedentes, consequentes, termos substitutos e conceitos relacionados ao conceito de “segunda vítima”. Resultados: Os atributos do conceito de “segunda vítima” envolvem repercussões físicas, emocionais e psicológicas duradouras. Os antecedentes incluem cultura punitiva e falta de apoio institucional e de pares. Os consequentes, destacam distúrbios do sono, raiva, medo, tristeza, vergonha, memórias intrusivas, ansiedade, depressão, isolamento, absenteísmo e abandono da profissão. Os termos relacionados abrangem segurança do paciente e saúde mental, enquanto termos substitutos incluem “fenômeno” e “síndrome” da segunda vítima. Discussão: Ambientes punitivos agravam os impactos negativos, desestimulam a segurança do paciente, promovem a ocultação de erros e aumentam as subnotificações, dificultando o aprendizado organizacional e a correção de falhas. Conclusão: O conceito de “segunda vítima” refere-se aos trabalhadores de saúde, acadêmicos e colaboradores administrativos ou de apoio, envolvidos direta ou indiretamente no cuidado ao paciente, que ao implicarem-se em um incidente relacionado à assistência à saúde de natureza não intencional, manifestam reações físicas, emocionais e psicológicas, com repercussões nas dimensões biopsicossociais, éticas e legais. As reações sem o suporte adequado e oportuno, podem se tornar crônicas e, eventualmente, patológicas. Como citar este artigo: Silva, Matheus Tavares França da; Mendes, Caroliny Cristine dos Santos; Fernandes, Rebeca Furtado; Oliveira, Sherida Karanini Paz de; Carvalho, Rhanna Emanuela Fontenele Lima de. Segunda vítima: análise de conceito fundamentada no modelo evolucionário de Rodgers. Revista Cuidarte. 2026;17(2):e5000. https://doi.org/10.15649/cuidarte.5000
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Silva, M., Mendes, C., Fernandes, R., et al. (2026). Second victim: a concept analysis based on Rodgers’ evolutionary model. Revista Cuidarte. https://doi.org/10.15649/cuidarte.5000